18 de mar de 2008

Censura

É pertinente lembrar que ele nunca tinha elevado o tom voz perante seus genitores até então. Ia à escola, estudava, escovava os dentes, lavava atrás das orelhas e se deitava antes da vinheta de abertura da novela das oito. Jamais abriu o berreiro por insignificâncias, nem mesmo quando desejou um boneco articulado do Jaspion.

Naquela ocasião, porém, sentiu algo diferente. Uma conflagração pessoal generalizada estava acontecendo a passos lentos, e não estou falando de alterações oriundas da fase inicial da puberdade. Como de costume, pegou seu lanche deixado pela sua mãe sobre a bancada da copa e subiu como um relâmpago no ônibus amarelado.

Às seis e trinta em ponto já estava limpo e aprontado para jantar. O patriarca gorducho estava sentado na poltrona da sala, absorto na leitura de seu jornal, era uma boa oportunidade para contar as novas:

- Camarada! Fiz a revolução na escola... Pintei o Diabo!

Contrapartida: dois “suaves” tapinhas nas costas.

Resultado: um olho roxo e duas costelas quebradas.

Um comentário:

Caio Rudá disse...

HEuehuehuehueh

Bom demais da conta. Nada como o velho e bom humor negro.