15 de mar de 2008

Pormenorizando

A chama vacilante aprisionada na lamparina era a única testemunha daquele silêncio agourento. Nem os insetos se atreviam a interromper tal desassossego divino, pois a sábia matriarca presenteou os seres menores com o dom de calarem-se diante da desordem. Naquela noite, desgraçadamente, até os deuses cochilaram.

Krobi – o ancião – despertou ofegante. Seu sono pesadíssimo fora quebrado por um estampido nada familiar aos seus ouvidos. Dirigiu-se à porta de sua choupana camuflada com arbustos para verificar a origem do barulho ensurdecedor e conferiu, boquiaberto, que o disparo era originário de um canhão das tropas humanas. A arma mecânica de cor cinza, com uns três metros de altura soltava cólera por suas ventas enormes e ia derrubando furiosamente a Floresta Negra, metro a metro.

Na torre, Brian – o perneta – tocava desesperadamente a trombeta de alarme. A Vila dos Leprechauns Pálidos estava sendo destruída por impiedosos humanos de vestimentas azuis que pisoteavam as pequenas residências em busca ouro. Porém, cinco dias e cinco noites antes do ataque todo o ouro tinha sido depositado no arco-íris de Pandoma – a feiticeira. No dia seguinte ao ataque, a vila estava renascendo dos escombros enquanto uma equipe de jornalismo fazia a cobertura do ocorrido.

Um comentário:

Saulo disse...

Se essa história fosse um livro eu leria.