15 de abr de 2008

Controverso

           Estamos todos pelados. Nus dentro de um labirinto. Sem linha, sem novelo, sem migalha de pão ou mapa que nos mostre a saída. Não há chegada nem caminho de volta, a não ser dar voltas e voltas. Caminhar em círculos exatos na inexatidão do universo.
          
         Todos pelados. E ainda assim existem os que pensam que não estão desnudos. Com vestimentas de status, roupagens de dólares e conhecimentos inúteis. Dentro do labirinto tudo é inútil. Boa sorte para os vestidos! Quero que morram sufocados em seu lago de ganância.
          
         Não, muito obrigado. Não quero uma doze de gravata. Quero olhar para as paredes mortais deste labirinto escuro e ver o suor dos operários que as fizeram. Quero olhar preguiçosamente uma garrafa de 51 e saber que outrora estava cheia. Quero admirar inocentemente a luxúria e repousar nu em meu canto. Estamos todos pelados e a Senhora aponta uma arma para nossas cabeças. Meu travesseiro me aguarda em vida. Minha mulher me espera em sonho.





Um comentário:

lupeu lacerda disse...

úm murro na boca
e um chute no saco!

ducaralho