20 de abr de 2008

A Irmandade dos Vermes

         1. A sete palmos e meio do céu

       Quando o sino da igreja tocou ficamos cientes que não teria volta. A nuvem negra e lacrimosa na frente da basílica empatava nossa passagem, por isso criamos asas e entramos triunfantes pelo vitral da Paixão. Era possível ver a cara de espanto de todos os lutos presentes, mas a única face que nos interessava portava uma mortalha cor-de-rosa e pouco se lixava para a interrupção da cerimônia.
       Os urubus ficaram imóveis enquanto nosso fusca tocava uma marcha mais pra Ozzy que pra fúnebre. Raptamos a defunta, bebemos vinho em seu crânio e alguém, não lembro quem, aproveitou o resto.


2 comentários:

lupeu lacerda disse...

você
é um taxidermista
poeta de mil e seicentos talheres.
espantoso
somos irmãos? estudamos na mesma escola?

Postador disse...

Cara tá ficando afinado,né.E o Lupeu tá sendo socio de carteirinha.

Um abarço Meu amigo.

Georgio Rios