22 de dez de 2008

Naufrágio

O Mar e o poeta
o dilúvio e a poesia
nada neste céu transpira
nada em meus sonhos sua
e a sacra, santa sucumbe
Oh, águas ardilosas!

Em tempos de embarcações rotas
e de homens ainda mais rudes
sobra a escassez de vento,
falta a escassez de fé,
Ele nos faz cara feia, e a nau
exala entre nossos dedos.


A tempestade não está para o poeta
o Mar está para o poeta
a tempestade está para o pecado
pois Ele assim quis, só ele
nós esperávamos o ouro,
mulheres e boa vida, nesta vida.


Agora este bezerro abate-nos
e nós aqui, rezamos patéticos
que luta inútil, marujo, que luta
Ele assim quis, só ele!
Nós agora somos os frutos
do fruto da nossa usura.



Claude Joseph Vernet, The Shipwreck, 1772

6 comentários:

moralina disse...

belissímo poema!!!!!!!!!!!

Georgio Rios disse...

RIcardo belo e tocante poema.Muito bom mesmo!!!!Parabéns.

Miguel Barroso disse...

Continuamos a ser poetas apesar de tudo.

Abraços d´ASSIMETRIA DO PERFEITO

Caio Rudá disse...

Thadeu, o poeta romântico-social-com-pitadas-de-Castro-Alves.

Is this trip really necessary?

fabiana disse...

Bom demais.
E as pinturas estão show também.
Que boa descoberta esse blog! - vou acompanhar.

fabiana disse...

Lembrei agora - escrevi um poema sobre um marinheiro louvando seu capitão ("Ode to Walt Whitman"), uma brincadeira com o "Oh Captain, my Captain". Me lembrou esse seu - só que mais otimista.