31 de mai de 2011

Poema para esquecer

um dia, descobri como descobrir
e descobri que o Brasil não foi descoberto
e descobri que não descendemos dos macacos
e descobri que Elvis não morreu
e descobri que o homem não foi a lua
e descobri que tudo que sobe desce
e descobri que a terra não é azul
e descobri que Capitu traiu Bentinho (ou não)
e descobri que Nietzsche não era ateu
e descobri que a pedra de Drummond era uma rocha magmática
e descobri que Jesus gostava de vinho
e descobri que minha vizinha é lésbica
e descobri que meu quarto fede a mofo
e descobri que Napoleão era louco
e descobri que sou um dos irmãos Karamazov
e descobri que viajar no tempo é possível
e descobri que Leminski veio antes do Twitter
e descobri que dançarinas de funk implantam silicone
e descobri que o Contador Geisel não funciona no Japão
e descobri que o universo não conspira contra os maus
e descobri que a minha televisão está quebrada
e descobri que o LSD não me converterá num deus da guitarra
e descobri que Sojourner nunca explorou Marte
e descobri a cura para a AIDS
e descobri quem matou Vargas, Skylab e Tom Zé
e descobri que a morte é uma ilusão de ótica
e descobri que os egípcios foram espiritualmente guiados por E.T.s
e descobri que mais vale 1 pássaro na mão do que 2 voando
e descobri que todas as grandes descobertas
eram pequenas descobertas perto das minhas
e descobri que não vale a pena descobrir tanto
e descobri uma maneira de esquecer todas essas descobertas:
escrever um poema e me mudar para Amsterdã

Um comentário:

Marina Carvalho disse...

Descobertas cansam!
Nem escrevendo um poema me faz esquecer.

Descobri que essas descobertas só não são mais chatas que um poema que eu fiz.

Descobri que não era pra ter lido, ou talvez vivido.