8 de mai. de 2011

Deixa estar, rapaz, deixa estar*

                                para minha mãe

Quando estou na pior,
prestes a amarrar uma bigorna no pescoço
e me jogar da ponte
é você que me diz: let it be.
E quando eu quero correr pelado
e gritar para o mundo ouvir
que essa merda de vida não vale a pena,
é você que me diz: let it be.
E nas vezes que choro cortando cebolas
ou vendo meu time perder,
ou quando sei que os ETs
vão invadir a Terra,
que amanhã é segunda-feira
e percebo que essa é só a leitura
de uma canção famosa
é você que me diz: let it be.


*Poema publicado no livro D'ANTES (VB, 2009)