6 de jan de 2012

Boca fechada


A feijoada da vovó
não cabe no poema. O picadinho
de fígado
não cabe no poema.
Não cabem no poema o refri
a pizza o estrogonofe
as gorduras trans
do salgadinho
do bolo confeitado
do biscoito.

A padaria da esquina
não cabe no poema
com seu sonho de carne
seu pão de mel
e açúcar.
Como não cabe no poema
o pastel
que deixa escorrer óleo
entre os dedos
de quem o compra.

- porque o poema, senhores,
está de dieta: “boca fechada”
Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta cristalizada

O poema, senhores,
nem fode
nem sai de cima.


Monalisa Gorda, Fernando Botero

9 comentários:

Fabrício disse...

Muito bom meu caro!


um abraço

Ricardo Thadeu disse...

muchas gracias, irmão fabrício

abç

Lidi disse...

Adorei, Thadeu. Tão bom quanto o de Gullar. A última estrofe, então! ;)

Dayana disse...

Me vi nesse poema! :)

Ricardo Thadeu disse...

lidi e day

#valeuvalendo

Bruno Gaspari disse...

kkkkkk gostei demais! Abraço

ideia não tem a(ss)ento disse...

sou sua fã! e isso nem cabe num verso...
grande abraço!

ideia não tem a(ss)ento disse...

sou sua fã! e isso nem cabe num verso...
grande abraço!

Ricardo Thadeu disse...

bruno e ena

valeu-valendo

adiós